Você é capaz de se sacrificar por alguém?
O filme “Devoradores de Estrelas”, estrelado por Ryan Gosling, foge dos clichês de filmes de espaço. Confesso que quebrou muito as minhas expectativas. Com um tom de comédia e um toque de “opa, tem algo errado”, a trama desliza rapidamente no tempo. É um filme longo, porém prende muito! O tempo passa voando.
A narrativa começa quando o professor de ciências Ryland Grace acorda em uma nave onde, sem entender nada, fica assustado e interessado em lembrar como parou ali. O filme tem aquele velho “joguinho” de takes no passado intercalando com o presente, mas aqui funcionou muito bem! Ao descobrir sua verdadeira missão e traçar seus próximos passos, ele encontra uma outra nave. É nesse momento que Rocky é introduzido.

Esse, sem dúvidas, foi um dos melhores personagens desenvolvidos nos últimos 4 ou 5 anos. Um personagem que parece literalmente uma pedra, mas com mais carisma, sentimento e profundidade que muitos personagens modernos. O momento da introdução do Rocky é a verdadeira quebra de expectativa. A movimentação da nave, o estilo e a linguagem artística que diferenciam duas civilizações distintas… tudo fica tão fascinante! Embora o filme se baseie em conceitos reais de física e ciência, ele cria uma atmosfera única que foge dos padrões espaciais comuns.
O arco da conexão entre o Ryland e o Rocky é muito bem construído. A forma como eles desenvolvem maneiras de se comunicar é algo fantástico. Movimentos, sons e até a criação de um software de tradução da língua do Rocky para o inglês é impecável. O personagem, que possui uma fisiologia baseada em silício, guarda consigo uma língua, cultura e histórias. Uma vida.
Assim como Ryland, o Rocky perdeu seus tripulantes e companheiros de missão. E isso gera, entre os dois, um senso de parceria. Essa conexão é o que traz a verdadeira mensagem do filme. O combustível da nave é movido por Astrofagos, organismos que estão “comendo” a energia do Sol. Porém, Ryland tem combustível apenas para a ida, e não para a volta. Rocky, sabendo que seu novo amigo morreria ali, cede parte de seu próprio combustível (o combustível que ele usaria para voltar ao seu planeta). Isso parte o coração de Ryland.
Uma “pedra” foi generosa com ele, algo que, no decorrer do filme, fica claro que Ryland nunca teve com tanta intensidade na Terra. Com o passar da aventura, eles conseguem coletar o “antídoto” (as Taumoebas), mas a nave sofre danos sérios. Ryland acaba desmaiando e o nosso amigo Rocky, que não pode ter contato com o oxigênio, pois vive em uma atmosfera de amônia superquente, em um ato sacrificial, sai de seu ambiente protegido para ajudar Ryland.
Tudo fica bem, Rocky se recupera e os dois se separam para voltarem aos seus respectivos lares. Porém, as câmaras que guardavam as Taumoebas não foram capazes de segurá-las; elas acabam vazando. O problema? As Taumoebas comem o combustível da nave, e a nave do Rocky é movida inteiramente por ele. Sem combustível, ele morreria no vácuo do espaço em pouco tempo. Nesse momento, Ryland retribui o favor. Ele envia as amostras para a Terra por meio de sondas e muda o curso em direção ao seu amigo para salvá-lo. Após isso, o nosso professor e cientista vive uma vida feliz nesse novo planeta, que agora chama de lar.
Talvez, na minha visão, esse final tenha sido a parte mais “corrida” do filme. A maneira meio apressada trouxe uma sensação de que a produção queria acelerar o encerramento. Porém, mesmo assim, funcionou muito bem!
Minha nota para esse filme é 8,5/10. Valeu muito a pena assistir nas telonas!

















